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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

máquina

se sou máquina?
sim, talvez esteja sendo
eu, entretido na união das partes
sem nem afeto
capaz de inconter
perfeição autoritária
certidão de acerto.

tudo de mim flui
e eu concordo
eu sob a cabeça
eu sem jeito
validando as esquinas de antemão
piscando semáforos enquanto
vedo a possibilidade da chuva
os olhos.

já não sei já não importa
hoje o que sai de mim sai tranquilo
é horror expresso em questão de segundos
pode ser em horas, não se explica
o tempo em mim é soma
nada aqui se multiplica
ou vai sem voltar
ou fica sem ir
eu nesse meio
sou o mesmo
o mesmo desde quando vim-a-ser.

se sou máquina? sim, talvez o seja
talvez seja máquina expressa no horror da passagem
máquina ponte tentando se esconder
máquina toda ida querendo se possível
se abster
do reflexo
dos espelhos
que teimam em me nós dizer

por que automatizas suas paixões?

e no fundo
ressoam as engrenagens
não diga ser por amor
não diga ser por amor,

\\

Composition No. 10

1939-1942

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