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quarta-feira, 28 de abril de 2010

do verbo e agora, josé?

o telefone tocou no meio da madrugada. era um familiar próximo dizendo que outro familiar, mais distante, havia morrido. como? meus olhos meio que nem sei se abriram, mas respiraram perplexos. como isso? gente. gente. e uma série infinita de lamentos. ok. ok. desliguei. deitei sobre o colchão jogado no centro da sala. senti o vento frio da noite me cobrindo por inteiro e penso agora, fim concreto. sem teatro, sem revolta, sem saída. fim do verbo conjugado terminar. do verbo ir sem mais voltar. do verbo se vira ai quem fica. do verbo e agora, josé?

pensarei em você. hoje. nas memórias mais antigas, de quando a vi pela última vez a qual já nem lembro mais. eu cresci, eu sumi. você seguiu e agora se foi. que irônico que em nossos encontros você tenha deixado em mim um esboço de plena atividade. sua vida se consome porque me parece, eu intuo, eu sinto, eu sei, tinhas um vasto sorriso. e ainda tem. ainda terá. aqui. pleno. seguro. protegido. feito eterno, assim lembrança.

não mais.

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