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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Putrefação

É quase um lamento

Chamar pelo seu nome

Que eu não sei.

Quase um momento

Em que eu estou tão perdido

Posto sem você

Jogado no meio desse caminho

Que poetas chamam o viver.

Estafa.

Dá vontade de não continuar.

Não é sofrer de ator, nem de autor

Quiçá de amante

É sofrer inoperante.

Que sofre independente das cores do dia

Que dói sem doer

E não é feito Camões

Porque não queima

Mas sim e somente

Se atormenta.

Um verbo em outra posição

Um pronome diante de um nome que não tem construção

Posto que é sonho.

Deposto do encanto

Eu sou apenas eu

E este é mesmo meu seguir

No caminho muitos jarros se entornam

E quem sabe você não volte a mim.

Mas não há ninguém

Eu escrevo sobre o quê

A gente se pega dizendo sobre um amor

Ou amante

Que sequer precisa existir.

Como se ser poeta fosse algo

Ou, pelo menos, fosse o nome aos sofredores do amor

Eu não sofro

Por amo.

Eu não morro

Se você se for.

Mas no ir e vir desses tormentos

Eu me reescrevo e reinvento

Um novo jeito de ser

Um novo silêncio

Que em meio ao som

Se possa fazer

Pleno.

Putrefato.

Aborígine.

E feito fermento,

Tipo pronto para germinar

Em idéias

Projetos

E amebas.

Treme música, treme, por favor

E me faça feliz por mais esse instante.

Venta vento, constante

E não deixe minhas costas perceberem sua ausência

Faça-as vagar sempre adiante

Sem ter tempo nem pausa para virar

Sem poder sequer imaginar

Que aquilo que resta

É sempre um corpo

Em putrefação.

Somos vermes, então?

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